Henrique Medeiros
A prefeitura de São Paulo implementou nesta semana um projeto-piloto de pagamento por aproximação via Bluetooth em 2,2 mil ônibus de transporte público e 296 linhas. A solução foi desenhada pela Primova com seu app Cittamobi e integrada pela Prodata e implementada pela SPTrans. Os desenvolvedores da solução explicam que a utilização do Bluetooth é mais democrática que o NFC.
“Todo celular, até o mais low-end, tem Bluetooth. Então, nós aproveitamos essa capilaridade no universo vasto de usuários do transporte público. Quando falamos do NFC, nem todo celular possui a tecnologia”, disse Emanuele Cassimiro, CPO da Cittamobi, o app da Primova que abarca a sua tecnologia de pagamento.
“O objetivo é facilitar a vida das pessoas ao acessar o transporte público de uma forma geral”, completou a executiva, ao explicar que buscam tecnologias mais includentes para o cidadão.
Bluetooth em SP
Por meio do app Cittamobi (Android, iOS), o cidadão acessa a área da carteira Primova Pay e compra o bilhete de ônibus apenas via Pix. Ao embarcar, abre o app, seleciona a passagem em ‘suas passagens’ e aproxima o celular com o Bluetooth ativo para liberar a catraca. Além da compra de bilhete avulso, o paulistano pode obter pacote de viagens diário, semanal ou mensal. O sistema de pagamento também funciona via nuvem para atualizar regras tarifárias em tempo real. Por exemplo, caso a prefeitura da capital precise liberar as catracas, essa demanda pode ser feita via cloud.
A solução começou a ser desenvolvida em 2024 junto com a Prodata. Para essa construção, o Primova Pay contou ainda com elementos robustos de criptografia assimétrica e assinaturas para garantir que a passagem do usuário seja inviolável. Cassimiro explicou que, embora esteja começando com 2,2 mil ônibus, o sistema de bilhetagem da Prodata está apto em sua totalidade para receber o pagamento Bluetooth nos 13 mil ônibus nos quais 7 milhões de usuários viajam diariamente. Mas a implementação será faseada por avaliação da SPTrans.
A lista completa dos ônibus aptos ao pagamento via Bluetooth pode ser vista neste link.
Importante dizer que o Cittamobi existe desde 2013 e está em mais de 350 cidades brasileiras com pagamentos e dados para ajudar o usuário a acessar o transporte público.
Modelo testado e validado
Ricardo Werneck, head de inovação na Primova, afirmou que o diferencial foi o padrão Bluetooth Low Energy (BLE), que está em todos os dispositivos com OS do Google e da Apple desde 2009 e melhoram ano a ano em termos de padronização, protocolo e largura de banda. Com essa tecnologia, a sua empresa conseguiu “mimetizar o NFC”.
O executivo lembra que o sistema de pagamento Bluetooth da Primova foi criado em 2019. No ano seguinte foi testado e validado em outra cidade do estado São Paulo, Sorocaba, aonde está em uso até hoje. A experiência em Sorocaba permitiu à empresa entender as nuances de sua solução, como a fácil adoção do Bluetooth e a preferência da população pelo Pix no lugar de outros meios de pagamento, como crédito e débito.
Próximo passos
Por ser mais democrática e capilar, a solução de pagamento via Bluetooth tem mais possibilidades em termos de expansão tecnológica, regional e de modelo de negócios. Werneck explicou que a ideia é não estar limitado a apenas um parceiro. Explicou que as bases do sistema estão prontas e modularizadas (APIs e SDKs, por exemplo) para serem integradas em outras carteiras, aplicativos e sistemas de bilhetagem.
Por sua vez, Cassimiro citou outras possibilidades de modelo de negócios que podem ser exploradas:
- Pay per use, ou seja, o pagamento pelo tempo gasto em um ônibus;
- Pay per mile, o pagamento pelo trajeto;
- Pay per zone, pagamento condicionado ao serviço em uma região.
Também explicou que além da expansão para outras cidades, a ideia da Primova é levar o meio de pagamento por Bluetooth para outros modais de transporte, como metrô, trens, barcas e estacionamento em zona pública (Zona Azul, por exemplo).
Contudo, o projeto encontra alguns obstáculos. Um deles é o avanço do pagamento por aproximação via Pix. Atualmente, o Pix por Aproximação está regulado pelo Banco Central apenas para NFC. Para adotar o Bluetooth por aproximação com o pagamento instantâneo, o BC precisaria atualizar a regulação.
O outro é que grande parte dessas evoluções técnicas e mercadológicas dependem do aval do contratante, o gestor de transporte público da cidade que tem outras demandas no seu cotidiano.
Fonte: Mobile Times
Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.