“Quando estou no ponto de ônibus e alguém me pede informação, eu me sinto o próprio Cittamobi.” O comentário ouvido pela diretora de relacionamento e estratégia da Cittamobi, Emanuele Cassimiro, durante uma de suas pesquisas de campo com os usuários do aplicativo, mostra a popularidade que o sistema já atingiu no mercado nacional, no qual teve em 2013 lançamento simultâneo em Recife (PE) e São Paulo (SP) como um serviço de informação do horário de chegada de ônibus nos pontos de embarque. Hoje, o app Cittamobi, que se tornou uma empresa com o mesmo nome em 2018, é uma ferramenta de mobilidade que faz conexão transversal dentro de uma cidade, de acordo com Emanuele.
“A pessoa chegar em um posto de saúde, em uma escola, em uma oportunidade de emprego, precisa se conectar com outros serviços”, afirma a diretora observando que tudo está conectado com o transporte público, que vem sendo cada vez mais incentivado pelas prefeituras como um modal de deslocamento urbano para se ter uma cidade mais sustentável. “Então, o mais importante em um aplicativo de mobilidade é manter as pessoas dentro do transporte público, ajudar a tomar decisões, não só entregar a previsão”, diz.
CEO da Primova, holding criada em 2021 e que tem controle da empresa Cittamobi, Cesar Olmos afirma que a premissa para o modelo de um sistema de inteligência de transporte ser sustentável é o passageiro utilizar o aplicativo. Por isso, o Cittamobi ampliou os serviços para a multimodalidade e com solução de pagamento que funciona para qualquer celular. “O aplicativo tem que entregar o horário do ônibus, soluções de pagamento e informações em geral, o que temos investido bastante agora.”
Olmos destaca o desenvolvimento do Conexão Cittamobi, uma rede de informações que forma um canal entre passageiro, transportadora de ônibus e prefeitura, ou o responsável pela mobilidade. “O operador pode enviar aviso de uma mudança de programação, da frota, dos bancos, que está investindo em melhorias, ou de uma ocorrência de evento extremo, como ocorreu no período de enchentes no Rio Grande do Sul. A gente acredita muito nessa comunicação e levamos a visão desse canal para empresários e prefeituras”, informa.
Modelo de Negócios
A inovação tecnológica gratuita para o usuário tem diferentes modelos de negócios, que podem ser escolhidos de acordo com o mais adequado à demanda do parceiro comercial. “Pode ser um modelo B2B com anúncio de publicidade, e os empresários bancam todo o aplicativo”, informa Olmos, enquanto Emanuele esclarece que, ao associar a marca, as prefeituras ou as empresas operadoras trazem a visibilidade das suas gestões para dentro do aplicativo, gerando valor para o passageiro.
Olmos conta que as prefeituras de Porto Velho (RO), Santo André (SP) e Mogi das Cruzes (SP) já “abraçaram” a novidade. Com monitoramento de mais de 80 mil ônibus, o Cittamobi está presente em 350 cidades brasileiras, sendo Recife (PE), Salvador (BA), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), a mineira Juiz de Fora e paulista Ribeirão Preto as que mais utilizam a plataforma.
“Hoje, não faz mais sentido para o passageiro ir para o ponto sem percepção nenhuma do que vai acontecer”, diz o CEO. Os serviços do Cittamobi também estão disponíveis na Argentina, França, Estados Unidos, Portugal e Uruguai. A plataforma digital intuitiva e funcional conta com mais de 45 milhões de downloads, que têm acesso às informações em tempo real sobre circulação de transporte público, planejamento de rotas em diferentes modos e recarga de créditos para pagamento das tarifas. Em março de 2025, o Cittamobi passou a informar sobre os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em tempo real, inclusive a Linha 10 – Turquesa, que atende a região do Grande ABC.
Também há uma versão para pessoas com deficiência visual, chamada Cittamobi Acessibilidade, que foi desenvolvida por um engenheiro de software cego. O aplicativo, controlado por voz, por exemplo, guia o usuário até o ponto de ônibus mais próximo e avisa quando se aproxima do destino para desembarcar.